SAÚDE MENTAL NO HOME OFFICE – como o empregador pode ajudar, ainda que à distância

Praticamente com início em março de 2020, o home office, em um primeiro momento, foi a principal alternativa encontrada para que os empregados se mantivessem protegidos e evitassem a propagação da pandemia causada pelo novo coronavírus[1]. A maioria das pessoas acreditou que o isolamento duraria apenas 15 ou 20 dias, mas cá estamos, até hoje, julho de 2021, com a grande parcela da população ainda vivendo essa realidade.

Mais adaptados, os empresários e funcionários perceberam que, além de proteger a saúde, o home office também é uma maneira de economizar tempo e dinheiro, como, por exemplo, nas inúmeras horas de trânsito necessárias ao deslocamento nas grandes cidades ou até mesmo com a redução de espaços físicos e maior adoção de escritórios com espaços compartilhados.

Além disso, podemos citar como benefício o ganho de tempo com a família ou com os animais de estimação.

Segundo pesquisa da FGV[2], a tendência é que o home office cresça 30% (trinta por cento) após a pandemia. Ainda estamos longe desse cenário de pós-pandemia, vivenciando um momento de incertezas, mas vislumbrando um futuro em que o home office esteja presente na vida do trabalhador, além da modalidade híbrida, que também já vem sendo adotada pelas empresas e que confere mais flexibilidade aos colaboradores.

Mas, sejamos sinceros, quem aqui não sente falta do cafezinho na cantina ou da convivência com os colegas de trabalho?

Esses momentos coletivos são muito importantes para o dia-a-dia do trabalhador e a sua inexistência, em razão da adoção do home office, pode acarretar em problemas. Por isso, é preciso ficar atento a sinais que possam vir dos colaboradores, para não deixar que essa mudança de hábitos não se torne algo mais grave, evoluindo para quadros de ansiedade ou depressão, pois, além de sentir saudade da rotina de trabalho anterior à pandemia, os trabalhadores também se preocupam, por exemplo, com a saúde de seus familiares, com a instabilidade financeira, do mercado de trabalho e com dúvidas sobre o futuro. Estes fatores podem resultar em falta de concentração, de motivação e de angústia, por exemplo.

Ademais, embora a maioria das escolas já tenha retomado as aulas presencialmente, durante muito tempo as crianças ficaram com as aulas na modalidade online, junto com os pais exercendo suas atividades laborativas em home office. Esse é outro fato que gera muito desgaste e estresse para os pais, que precisam ajudar os filhos em suas tarefas escolares, além de desempenhar suas atividades laborativas (e é claro, sem contar todo o resto da rotina – casa, comida, roupa, etc.).

Portanto, a pandemia causada pelo coronavírus tem sido o momento mais estressante da carreira de muitos trabalhadores.[3]

Por isso, mais do que nunca, é importante que os líderes mantenham uma atenção especial para com os seus liderados, ainda que o “olho no olho” tenha sido substituído pelos calls virtuais. Mas e aí, como é que os empregadores podem ajudar seus colaboradores, ainda que à distância?

Primeiro, além de fazer reuniões para falar sobre trabalho, os líderes também podem, ao menos uma vez por semana, fazer reuniões para conversar sobre a rotina dos funcionários, saber como estão, se alguém está com alguma dificuldade ou se precisam de algo, o que pode ter um grande impacto positivo no bem-estar de seus funcionários.

Outra sugestão interessante, é ofertar consultas com terapeuta, meditação e cursos, através de plataformas virtuais, ajudando no enfrentamento e gerenciamento do estresse, através do cuidado com bem-estar físico e mental.[4] Ah, e atenção: cuidado com o excesso de controle, para que os colaboradores não se sintam inseguros e sobrecarregados.

É clichê, mas é verdade: comunicação é tudo! Por isso, é necessário comunicar-se de maneira precisa sobre todos os recursos que a empresa pode oferecer, priorizando sempre o bem-estar dos colaboradores, fato que vai refletir também na saúde da empresa, pois são os colaboradores que estão na linha de frente, fazendo acontecer.

Por último, mas não menos importante, é importante que a liderança pratique a empatia, fazendo com que os funcionários não se sintam “sozinhos”. Os líderes que mostrarem preocupação e oferecerem orientações sobre saúde mental, física ou até mesmo sobre a situação financeira dos liderados, podem aumentar o ânimo de seus colaboradores.

Além disso, é muito importante reforçar a necessidade/importância da realização de pausas para repouso e alimentação, bem como da prática de exercícios físicos, pois inexistindo diferença entre o ambiente de trabalho e a residência do colaborador, é muito mais fácil realizar longas jornadas sem a devida pausa, o que é perigoso para saúde física e mental.

Outro ponto relevante é que o home office foi uma imposição aos colaboradores e surpresa para todos os envolvidos, sem tempo de preparar a transição do ambiente físico para o virtual. Portanto, resta evidente o papel do gestor e em como ele deve se renovar par manter a equipe unida e engajada, mesmo que afastados por muitos quilômetros.[5]

A saúde mental nunca esteve tão em alta. Em 2020, a concessão de auxílio doença e aposentadoria por causa de transtornos mentais, depressão e estresse bateu o recorde, somando 576,6 mil afastamentos, uma alta de 26% se compararmos com 2019, de acordo com os dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho.[6]

Logo, nunca foi tão importante conversar com o colaborador, entender como ele está e o estimular a fazer os intervalos, levantar, se alongar, beber um copo de água e, claro, praticar exercícios físicos, nem que seja realizar uma aula de dança, na sala da casa, pelo YouTube.

E por fim, mas não menos importante: líderes, não tenham medo de mostrar as suas vulnerabilidades também, estamos vivenciando um momento em que todos precisam ajudar e receber ajuda. Foi-se o tempo em que ser vulnerável era sinônimo de fragilidade.[7]

Essas dicas também servem para quem não está mais em home office, afinal, o período é de incertezas e toda ajuda é bem-vinda! Não deixe de acreditar, tudo isso vai passar.

 


AUTORA:

Luisiane Ramos Teixeira

Advogada, Pós-Graduada em Direito dos Negócios pela UNISINOS, Sócia do Teixeira & Forni Advocacia Especializada.

Email: luisiane@teixeiraeforni.com

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/luisiane-teixeira-b44990124/


Fontes:

[1]https://www.migalhas.com.br/depeso/329592/o-crescimento-da-adesao-definitiva-ao-trabalho-home-office–seus-desafios-e-vantagens

[2]https://www.oberlo.com.br/blog/estatisticas-home-office

[3]https://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,estresse-no-home-office-6-sinais-de-alerta-para-saude-mental-na-pandemia,70003671239

[4]https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/10/livro_saude_mental_covid19_Fiocruz.pdf

[5] https://forbes.com.br/brand-voice/2021/02/os-desafios-do-lider-do-anywhere-office/

[6]https://www.amcham.com.br/noticias/gestao/saude-mental-no-trabalho-entenda-o-papel-do-lider-no-combate-ao-estresse

[7] https://escolaconquer.com.br/blog/por-que-todo-lider-precisa-ser-vulneravel/